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Por quê Leitora Incomum?

Fernanda Souza
Mãe | Preta | Gorda | Aprendiz Dev | Streamer | Host | Balzaquiana | Nerd | Nostálgica | Ansiosa | Gamer | Terapeuta de boteco.
・3 min read

Sim, é isso mesmo, vamos falar nesse primeiro post aqui no Dev.to sobre o meu nome de usuário nas redes sociais que tem rendido curiosidade de algumas pessoas desde que passei a falar mais sobre minhas aventuras como graduanda de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, mesmo que algumas achem meio óbvio, não é tanto assim.

Impossível falar sobre isso sem falar sobre mim, sobre a minha trajetória de vida pois sempre fui considerada uma pessoa incomum. Segundo o dicionário temos a seguinte definição de incomum:

Algo que não é comum; anormal, extraordinário, fora do comum, invulgar.
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E foi assim mesmo que fui denominada e me senti durante boa parte da vida, sempre fora do comum, anormal aos ambientes em que eu estava e isso fez com que eu demorasse a encontrar meu espaço nesse mundo.

E quais eram as razões de ser considerada incomum? Pensem numa menina apaixonada por saladas desde que começou a engatinhar, por fliperamas e jogos desde que aprendeu a andar e que começou a ler de tanto insistir com a mãe com quatro anos, sem ter pisado na escola ainda. Não bastando tudo isso tão cedo, eu estava no bairro de Itaquera (aquele mesmo do estádio do Corinthians) na Zona Leste, periferia de São Paulo. Tudo isso não era direcionado para aquelas pessoas de jeito nenhum no fim dos anos 80 ou anos 90, a gente tinha que subverter o comum para ocupar esses espaços e a minha mãe lutou até onde pode comigo para que isso fosse possível.

Na vida adulta, eu logo parei um pouco com a parte de games quando casei e me tornei mãe do Arthur, mas ainda restou um hábito incomum nas minhas leituras. Eu até gosto de livros de fantasia e ficção científica, mas são os dramas e terrores psicológicos que realmente me prendem, além de biografias e textos sobre situações reais. E foi para encontrar com quem falar desses hábitos de leitura que em novembro de 2011, surgiu o www.leitoraincomum.com.br.

Escrever as resenhas para aprimorar a escrita, era só uma pequena parte do blog, eu queria ver se conseguiria me conectar com pessoas com gostos parecidos com os meus ou que pelo menos conversassem comigo de mente aberta sobre isso. E assim, o blog caminhou até o fim de 2015, quando entrei na graduação de Gestão de Tecnologia da Informação e comecei a ter que escolher para onde ia a dedicação tanto com leituras quanto com a escrita, pois sim a gente lê bastante em cursos de tecnologia.

Foi também aí que comecei a falar mais de outras coisas que eu gosto como séries, filmes e jogos, pois foi a fase que Arthur começou a se apaixonar pelo mundo de jogos também. E em 2018 começou o questionamento se ainda fazia sentido manter o leitora no apelido, afinal eu definitivamente não ia ser só uma pessoa falando de livros na internet, falaria de mais coisas que fazem parte de quem eu sou.

Imagem dividida em três fotos, a esquerda uma criança negra com o cabelo crespo partido ao meio e preso em dois pufs, segurando uma colher de pau na direita e usando um vestidinho branco, logo abaixo dessa escrito "Baby Fê". Ao meio, uma moça negra com o cabelo penteado e amarrado para festa com um topete, usando beca de formatura preta com babado branco e detalhe vermelho, com a bochecha apoiada na mão e sorrindo, logo abaixo escrito "Jovem Fê". A direita, uma mulher negra de cabelo com tranças longas azuis com duas mexas rosa, usando óculos de grau, olhando de lado e no fundo prateleiras com um sapo de pelúcia, usando uma camiseta branca com uma jaqueta verde por cima, abaixo escrito "Atual Fê"

E no início de 2020, após muito refletir e quando eu troquei de curso na faculdade, percebi que sim vai fazer sentido sempre ser a Leitora Incomum, pois eu leio por amor, leio pra aprender algo, leio códigos para consertar erros, amo livrarias e cheirar livros, etc. Ser leitora é uma parte de absolutamente tudo que eu faço, até das músicas que escuto e sempre estou conectada nas letras, no que elas significam independente do idioma. O incomum, ficará sempre em respeito a minha história desde a baby Fê até a idosa Fê. É também uma forma de sempre manter todas as versões da minha história em tudo que eu faço.

Espero que tenham gostado de saber mais sobre isso.

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