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guilhermegarcia86
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Express e MongoDB

Introdução

No último artigo foi apresentado como construir uma API REST do zero usando NodeJS e Express , foi mostrado como usar o príncipio de injeção de dependências para conseguirmos desacoplar detalhes de implementações.

Agora iremos evoluir um pouco mais esse projeto e iremos adicionar um banco de dados real, no caso será usado MongoDB. Vamos configurar o ambiente usando Docker Compose e vamos entrar em detalhes que não foram apresentados no artigo anterior como os verbos HTTP PUT e PATCH.

Adicionando MongoDB

Vamos adicionar o MongoDB no projeto e para isso iremos começar adicionando essa dependência com o comando abaixo:

npm install --save mongodb
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Rodando esse comando o NPM irá adicionar e baixar as dependências necessárias.

Como estamos usando o Docker Compose vamos criar o arquivo docker-compose.yml na raiz do projeto (caso não tenha o Dokcer ou o Docker Compose instalados basta seguir esse tutorial):

version: '3'

services:

  mongo:
    image: mongo
    container_name: mongo
    environment: 
      MONGO_INITDB_ROOT_USERNAME: admin
      MONGO_INITDB_ROOT_PASSWORD: password
      MONGO_INITDB_DATABASE: phonebook
    volumes: 
      - ./data/init.js:/docker-entrypoint-initdb.d/init.js:ro
    ports:
      - 27017:27017
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Analisando o arquivo acima além da definição da versão que será usada pelo Docker Compose temos a declaração services que serão os serviços que serão inicializados, que no caso foi chamado de mongo.

Logo após temos a o campo image onde definimos o nome e a versão da imagem Docker que será usada, nesse caso será usada a imagem do MongoDB e como não foi passado uma versão especifica será usado a versão latest.

No campo environment definimos todas as variáveis de ambiente que usaremos nessa imagem. Basicamente definimos um user e password admins do banco e já iniciamos o MongoDB com o database phonebook que usamos na aplicação.

Por fim seria útil além de iniciar o banco já iniciarmos com a collection de contatos, na documentação do MongoDB no DockerHub encontramos uma forma de fazer isso, basta mapearmos um volume contendo um arquivo .sh ou .js e apontarmos para docker-entrypoint-initdb.d que ele será executado. Então aqui é o lugar perfeito para incluirmos a inicialização da collection como mostrado abaixo:

print('---> CONNECTING DATABASE <---');

db = db.getSiblingDB('phonebook');

print('---> CREATING COLLECTION <---');

db.createCollection('contact');

print('---> CREATING INDEX <---');

db.contact.createIndex({ name: 1 }, { unique: true })

print('---> SUCCESS TO RUN SCRIPT <---');
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No código acima basicamente nos conectamos no database phonebook e criamos a collection contact e por fim criamos um índice para o campo name.

Se iniciarmos o Docker Compose teremos uma saída que deverá conter entre outras coisas essa informação:

> docker-compose up
>
> mongo | /usr/local/bin/docker-entrypoint.sh: running /docker-entrypoint-initdb.d/init.js
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.705+00:00"},"s":"I", "c":"NETWORK", "id":22943, "ctx":"listener","msg":"Connection accepted","attr":{"remote":"127.0.0.1:38750","connectionId":3,"connectionCount":1}}
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.705+00:00"},"s":"I", "c":"NETWORK", "id":51800, "ctx":"conn3","msg":"client metadata","attr":{"remote":"127.0.0.1:38750","client":"conn3","doc":{"application":{"name":"MongoDB Shell"},"driver":{"name":"MongoDB Internal Client","version":"4.4.5"},"os":{"type":"Linux","name":"Ubuntu","architecture":"x86_64","version":"18.04"}}}}
> mongo | ---> CONNECTING DATABASE <---
> mongo | ---> CREATING COLLECTION <---
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.720+00:00"},"s":"I", "c":"STORAGE", "id":20320, "ctx":"conn3","msg":"createCollection","attr":{"namespace":"phonebook.contact","uuidDisposition":"generated","uuid":{"uuid":{"$uuid":"dfab7eaa-99b0-4b3b-9f41-07b104a27fdb"}},"options":{}}}
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.738+00:00"},"s":"I", "c":"INDEX", "id":20345, "ctx":"conn3","msg":"Index build: done building","attr":{"buildUUID":null,"namespace":"phonebook.contact","index":"_id_","commitTimestamp":{"$timestamp":{"t":0,"i":0}}}}
> mongo | ---> CREATING INDEX <---
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.739+00:00"},"s":"I", "c":"INDEX", "id":20438, "ctx":"conn3","msg":"Index build: registering","attr":{"buildUUID":{"uuid":{"$uuid":"b8a5db18-ea67-4b2b-aad0-fe81e6f46df6"}},"namespace":"phonebook.contact","collectionUUID":{"uuid":{"$uuid":"dfab7eaa-99b0-4b3b-9f41-07b104a27fdb"}},"indexes":1,"firstIndex":{"name":"name_1"}}}
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.811+00:00"},"s":"I", "c":"INDEX", "id":20345, "ctx":"conn3","msg":"Index build: done building","attr":{"buildUUID":null,"namespace":"phonebook.contact","index":"name_1","commitTimestamp":{"$timestamp":{"t":0,"i":0}}}}
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.812+00:00"},"s":"I", "c":"INDEX", "id":20440, "ctx":"conn3","msg":"Index build: waiting for index build to complete","attr":{"buildUUID":{"uuid":{"$uuid":"b8a5db18-ea67-4b2b-aad0-fe81e6f46df6"}},"deadline":{"$date":{"$numberLong":"9223372036854775807"}}}}
> mongo | {"t":{"$date":"2021-04-12T19:35:18.812+00:00"},"s":"I", "c":"INDEX", "id":20447, "ctx":"conn3","msg":"Index build: completed","attr":{"buildUUID":{"uuid":{"$uuid":"b8a5db18-ea67-4b2b-aad0-fe81e6f46df6"}}}}
> mongo | ---> SUCCESS TO RUN SCRIPT <---
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Com isso já teremos uma instância do MongoDB rodando e pronta para usar.

Injetando o banco como dependência

Voltando agora para a aplicação precisamos conectar o MongoDB no projeto, para isso iremos começar criando o arquivo mongo_repository.js na pasta repository do projeto:

const MongoClient = require('mongodb').MongoClient

class MongoRepository{

    constructor(connectionString){
        this.connectionString = connectionString
        this.contactCollection = null
    }

    async init(){
        await this._connect(this.connectionString)
    }

    async _connect(connectionString){

        const client = await MongoClient.connect(connectionString, {useUnifiedTopology: true})
        const db = client.db('phonebook')
        this.contactCollection = db.collection('contact')

        return this.contactCollection

    }

    insert(contact){
        this.contactCollection.insertOne(contact)
        .then(result => console.log("Dados inseridos com sucesso", result.result))
        .catch(err => {throw new Error(err)})
    }

    async selectAll(){
        return await this.contactCollection.find().toArray()
    }

    async selectById(name){
        return await this.contactCollection.findOne({name: name})
    }

    async update(name, contact){
        return await this.contactCollection.findOneAndUpdate(
            {name: name},
            {
                $set: {
                    name: contact.name,
                    telephone: contact.telephone,
                    address: contact.address
                }
            },
            {
                upsert: true
            }    
        )
    }

    remove(name){
        this.contactCollection.deleteOne({name: name})
        .then(result => console.log(result.result))
        .catch(err => {throw new Error(err)})
    }
}

module.exports = MongoRepository
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O código acima é uma classe JavaScript onde no seu construtor definimos que queremos receber a string de conexão com o MongoDB , logo abaixo temos a função init que se conectará ao banco e a collection e na sequência temos os métodos para realizarmos as operações de CRUD no MongoDB.

Com isso podemos trocar a classe InMemoryRepository pela MongoRepository no projeto facilmente de forma transparente para a aplicação:

const router = require('express').Router()
const MongoRepository = require('../repository/mongo_repository.js')
const Service = require('../service')
const MongoRepo = new MongoRepository('mongodb://admin:password@localhost:27017')
MongoRepo.init()
const service = new Service(MongoRepo)

router.param('name', (req, res, next, name) => {
    req.name_from_param = name
    next()
})

router.post('/', async (req, res) => {
    const contact = req.body

    service.create(contact)

    res.status(201).json(contact)
})

router.get('/:name', async (req, res) => {

    const id = req.name_from_param

    const result = await service.getById(id)
    if(result !== undefined){
        res.status(200).json(result)
        return
    }

    res.sendStatus(204)

})

router.get('/', async (req, res) => {

    const result = await service.getAll()

    if(result.length > 0){
        res.status(200).json(result)
        return
    }

    res.sendStatus(204)

})

router.put("/:name", async (req, res) => {

    const name = req.params.name
    const body = req.body

    const result = await service.put(name, body)

    res.status(200).json(result)
})

router.delete("/:name", async (req, res) => {

    const name = req.params.name

    service.remove(name)

    res.sendStatus(204)
})

module.exports = router
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Entendo o código acima por partes, primeiramente temos a importação e nela já iniciamos o banco e o injetamos como dependência na Service :

const MongoRepository = require('../repository/mongo_repository.js')
const Service = require('../service')
const MongoRepo = new MongoRepository('mongodb://admin:password@localhost:27017')
MongoRepo.init()
const service = new Service(MongoRepo)
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E o restante do código basicamente não se altera, essa é uma das grandes vantagens de não usar um código acoplado, é a facilidade que temos de trocá-lo rápidamente quando necessário, então temos um código com baixo acoplamento mas com alta coesão já que suas funcionalidades estão explicitas e segregadas.

Testando as alterações

Da mesma forma que foi dito anteriormente nada foi alterado com a mudança do banco de dados então para quem estiver usando a aplicação nada deve mudar. Vamos testar isso agora.

Realizando um POST teremos o seguinte resultado:

curl --location --request POST 'http://localhost:3000/api' \
--header 'Content-Type: application/json' \
--data-raw '{

    "id": 1,
    "name": "Kelly",
    "telephone": "118888888",
    "address": "Rua dos Bobos n 1"

}' | json_pp
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Teremos o seguinte resultado:

{
    "id": 1,
    "name": "Kelly",
    "telephone": "118888888",
    "address": "Rua dos Bobos n 1",
    "_id": "607d805caa972341ebd3e568"
}
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Está muito parecido com o que tínhamos porém temos um detalhe que não havia antes que é o campo _id que está retornando.

Isso é um problema por alguns motivos mas o principal deles é que o nosso modelo está seguindo a implementação do banco de dados e isso causa uma aplicação acoplada, para resolver isso teremos que começar a usar o modelo que foi definido no primeiro artigo, mas não será visto agora pois teremos que fazer algumas alterações para isso e acredito que ficará muito extenso fazer aqui e foge um pouco da temática desse artigo que é de se conectar ao banco do MongoDB ; porém para agora vamos deixar assim mas sabendo que é um ponto de alteração também pelo fato de expor um id interno poder ser considerado uma falha de segurança da aplicação.

Obs: Foi realizada uma alteração no módulo de rotas pois as chamadas GET /health e GET /:name estavam conflitando então foi necessário adicionar a seguinte configuração:

router.param('name', (req, res, next, name) => {
    req.name_from_param = name
    next()
})
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E após isso o roteamento do GET /health deve ser feito antes do roteamento do GET /:name

router.get('/health', (req, res) => {

    res.status(200).json({status: "Ok"})
})

router.get('/:name', async (req, res) => {

    const id = req.name_from_param

    const result = await service.getById(id)
    if(result !== undefined){
        res.status(200).json(result)
        return
    }

    res.sendStatus(204)

})
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PUT vs PATCH

Temos hoje no projeto configurado as rotas para fazer criação, leitura, escrita e deleção de dados, mas como pode ser visto nós usamos o verbo HTTP PUT quando queremos atualizar um contato, porém o PUT é usado quando queremos realizar atualizações completas em uma entidade, o que devemos fazer nesse caso se quisermos atualizar somente um campo do contato?

Para isso existe o verbo HTTP PATCH e ideia por trás dele é usarmos quando precisamos fazer atualizações parciais em uma entidade. Para isso vamos preparar a partir das rotas até a persistência no banco de dados.

Começando pelo módulo router:

router.patch("/:name", async (req, res) => {

    const name = req.params.name
    const body = req.body

    service.patch(name, body)

    res.sendStatus(204)
})
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Não muda muita coisa do que já foi feito nas outras rotas, usamos a função patch do Express e informamos no path que passaremos o name como parâmetro e o body com o objeto que conterá a atualização parcial e chamamos a service que também deverá possuir uma função chamada patch.

Agora no módulo service:

patch(name, body){
    return this.repository.patch(name, body);
}
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Aqui é mais simples pois só é usado como um adaptador para a chamada ao módulo de persistência nesse momento.

E por fim no arquivo mongo_repository.js no módulo repository:

async patch(name, contact){
    return await Object.entries(contact).forEach(([key, value]) => {
        let obj = {}
        obj[key] = value
        return this.contactCollection.findOneAndUpdate({name: name}, {$set: obj})
    })
}
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Aqui usamos a função Object.entries que itera sobre um objeto e devolve um array onde a chave é o nome do atributo e o valor é o valor daquele atributo e com isso conseguimos iterar por esse array e realizar a operação que atualizará somente os campos que informamos.

Agora conseguimos testar e teremos a atualização parcial:

curl --location --request PATCH 'http://localhost:3000/api/Kelly' \
--header 'Content-Type: application/json' \
--data-raw '{
    "address": "novo endereco novo"
}'
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Mas a questão que pode ser discutida é por que usar dois verbos HTTPs diferentes para fazer quase a mesma coisa? Por que não usar o PUT e fazer a atualização do que for passado, seja uma entidade inteira ou apenas parcial?

A resposta pra isso é que os verbos HTTPs são guias de como a sua API funciona então a semântica deles importa e quando entrarmos nos detalhes sobre documentação de APIs vamos conseguir entender melhor que para quem usar a API é melhor se usarmos um padrão do que ter que ter uma longa documentação sobre os detalhes internos do processamento de dados. Mais detalhes sobre o PATCH podem ser encontrados aqui.

Conclusão

Nesse artigo vimos como configurar o MongoDB usando o Docker Compose e como podemos usufruir da inversão de dependências para poder trocar facilmente dependências sem quebrar o nosso código ganhando mais produtividade.

Vimos como conectar a aplicação ao MongoDB e também aprendemos um pouco sobre o verbo HTTP PATCH e saímos com um ponto de melhoria que é a exposição de entidades pela nossa API , veremos como melhorar essa parte no próximo artigo.

Código do projeto

Segue o GitHub com o projeto usado nesse artigo.

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