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Cristiano Gonçalves ⛩️
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Meus erros e aprendizados em 1 ano como Tech Lead

Faz um 1 ano e 3 meses que aceitei oficialmente um desafio para ocupar o cargo de Tech Lead na Zak, uma posição que me preparei bastante para ocupar, ou ao menos achei ter me preparado o suficiente.... Porém, a medida que os dias iam passando, o time ia se estruturando e as situações foram aparecendo, eu percebi que não estava tão preparado como imaginei.

Errei bastante, questionei minha capacidade enquanto líder, tive vontade de desistir, mas também recebi feedbacks de que estava fazendo um bom trabalho. E é por isso que estou confortável em escrever um texto compartilhando alguns dos meus aprendizados, pois esse era o tipo de conteúdo que poderia ter me ajudado no início da minha jornada enquanto líder.

Qual o papel de um Dev e de um Tech Lead?

Antes de falar sobre erros e acertos é preciso entender quais as diferenças entre um Dev e um Tech Lead. De maneira bastante prática o Dev tem um perfil executor e na grande maioria das vezes não possuem dependências. Enquanto um Tech Lead tem a função de liderar uma equipe, conduzindo o time, gerenciando o projeto, mantendo uma boa comunicação com outras equipes da empresa e auxiliando na evolução técnica dos seus liderados.

Agora que você já tem uma ideia básica sobre a diferença entre o dev e tech lead vamos aos principais erros que cometi e aprendizados que tive a medida que fui avançando no dia-a-dia de um líder técnico.

Não delegar

Esse foi um dos meus principais erros e foi algo que custou bastante da minha saúde física e mental... Inicialmente eu não tinha entendido que não estava mais no perfil de executor e segui acumulando atribuições que deveriam ser direcionadas para o time.

Isso me deixou extremamente sobrecarregado e meu desempenho enquanto líder não estava sendo dos melhores, pois não estava focando no time e sim nas tarefas. Além disso, o cansaço físico e mental foram aumentando e não importava o quanto eu dormisse, o cansaço continuava.

As coisas só começaram a fluir quando eu entendi que não iria conseguir fazer tudo sozinho. Que precisava confiar no meu time e que agora o meu papel era o de garantir o sucesso dos meus liderados na execução das tarefas. Inicialmente foi bem difícil virar essa chavinha, pois um dia você é responsável por duas ou três tarefas na sprint e no outro dia você é responsável pelo sucesso de dez ou quinze tarefas de todo o seu time.

Toda sua independência passa a ser uma dependência, pois sem o sucesso do time você não tem sucesso.

Não entender a capacidade do time

Quando me tornei tech lead eu já tinha bastante contexto sobre o projeto e dominava bastante das regras de negócio, por isso, eu tinha facilidade em resolver determinados problemas com mais velocidade que os devs menos experientes do projeto, algo esperado... Porém, sempre que o time tinha alguma dificuldade eu pensava "eu consigo resolver isso rapidinho" e por causa desse pensamento o planejamento do meu time tinha diversos problemas, pois eu planejava para o time pensando estar planejando para mim.

O planejamento do time melhorou expressivamente quando eu entendi que cada pessoa tem um ritmo diferente e que eu precisava entender qual era a velocidade do time independente da minha velocidade de desenvolvimento. E que meu trabalho era buscar soluções para que a eficiência do time aumentasse cada vez mais. Não interessa o quão rápido eu possa resolver o problema e sim o quanto eu posso auxiliar meu time para resolver o problema com a melhor qualidade e velocidade possível.

O papel de um tech lead é entender a capacidade do time e encontrar formas de aumentar a produtividade do mesmo.

Sem um time engajado nada vai funcionar

Existem diversas formas de engajar uma pessoa... não vou me aprofundar nisso, pois cada pessoa é singular e cada time tem uma configuração diferente. Mas enquanto líder, o grande ponto é encontrar uma forma de mostrar o valor do trabalho para seus liderados, pois isso é um dos pontos-chave para manter um time engajado.
Enquanto eu apenas passava tarefas e cobrava sem mostrar o porquê de cada decisão e o impacto que elas traziam para o negócio, o sentimento do time não era dos melhores. Isso mudou quando eles passaram a enxergar o valor das suas entregas e se sentiram mais envolvidas em todo o processo.
Demonstrar esse valor não é uma coisa simples, pois as pessoas têm dificuldade em enxergar valor nas pequenas coisas, porém uma forma de contornar isso é utilizando métricas de forma que o time entenda sua evolução, seus pontos de falhas e suas conquistas sem um ar analítico de julgamento. Dessa forma, as métricas podem ser sua maior aliada no engajamento do time, desde que você as utilize com propósito de dar visibilidade e de conduzi-los do ponto A ao ponto B sempre visando a melhoria constante ao invés do julgamento continuo.

O sentimento de trabalhar em algo que não gera resultados é péssimo, então um líder precisa cuidar para que o time enxergue o real valor de cada detalhe que vocês trabalharem juntos.

Ser transparente é essencial

Desde meu primeiro dia enquanto líder, eu optei por ser bastante transparente com minha equipe. Eles sempre souberam quando as coisas estavam indo bem, quando as coisas não estavam indo bem, quando eu estava muito confiante ou quando eu estava com a confiança baixa. Para alguns isso é algo negativo, pois tem pessoas que acreditam que o líder precisa ser uma figura inabalável, que não demonstra suas inseguranças para o time... em outras palavas, nada humano.

Eu optei pelo caminho da transparência, pois meu time precisa confiar em mim nos momentos bons e nos momentos ruins e isso é algo muito difícil, porem, em 1 ano e 3 meses como Tech Lead, com diversas configurações diferentes de times e com liderados de perfis diferentes, ser transparente foi o que me ajudou construir boas relações e ser uma figura confiável para os meus liderados.

É claro que você precisa ser responsável, consciente e prezar sempre pelo bem-estar do seu time, então podem existir situações em que a transparência pode mais atrapalhar do que ajudar, mas isso não pode ser algo corriqueiro. E até nesse tipo de situação, sempre que possível, é importante ser transparente do porquê você não foi transparente.

Quando você é acessível e transparente com o seu time uma relação de confiança é construida, o que facilita todo o trabalho.

E chegamos ao fim

Esse foi a primeira vez que abordei um conteúdo não técnico... Confesso que foi bem mais difícil de expressar tudo em palavras, mas espero que tenha sido claro e te ajude de alguma forma.

Ao longo da minha jornada eu tive mais erros, aprendizados, frustrações e alegrias no cargo de Tech Lead, mas vou deixar para falar mais sobre em outra ocasião.

Muito obrigado por chegar até aqui e até a próxima!

Discussion (1)

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Guilherme Thomas

Muito bom, a parte do engajamento é fundamental demais, entender o propósito da tarefa e como ela conversa com os objetivos tanto da empresa quanto do funcionário é algo muito valioso e que ajuda demais no dia a dia.