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Fernanda Scovino for Base dos Dados

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BigQuery 101

TL;DR

Neste artigo vamos demonstrar como consultar os conjuntos de dados disponíveis no nosso datalake público online através do Google BigQuery. Você irá aprender a avaliar os dados, cruzar tabelas de diferentes conjuntos de dados disponíveis e para isso iremos explicar algumas funções básicas de SQL e BigQuery - ao final do artigo temos inclusive uma super indicação de curso gratuito de SQL.

O texto tem como base o workshop feito por João Carabetta disponível em nosso canal no Youtube.

Introdução

As bases disponíveis para download e análise no nosso site possuem o ícone BD+. Isto significa que a base está disponível no nosso datalake público, ou seja, estes dados já foram tratados pela nossa equipe técnica e são atualizados frequentemente.

Ao longo do texto iremos explorar os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) mas o processo é o mesmo para qualquer base que você desejar acessar. A RAIS é um relatório de informações socioeconômicas solicitado pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia brasileiro às pessoas jurídicas e outros empregadores anualmente.

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Através do site, após escolher o conjunto de dados de interesse, você pode visualizar Tabelas disponíveis neste conjunto. No caso da RAIS, temos disponíveis toda a série histórica de microdados de vínculos empregatícios no Brasil, e tabelas de agregações destes dados.

Para explorar uma tabela em específico, você deve clicar em Explorar dados. Em seguida, ao clicar no botão somos redirecionados ao Editor de consultas dentro do Google Cloud - essa é a ferramenta que iremos explorar hoje.

Antes de começar:

Se já tiver um projeto no Google Cloud, siga em frente. Caso contrário, após clicar no botão você verá a página abaixo - basta clicar em Criar um projeto (é gratuito) e já terá acesso às nossas bases.

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Navegando pelo BigQuery

Abaixo vamos entender melhor como funciona a interface do BigQuery. Após criar o projeto ele vai aparecer para você no canto superior esquerdo (1). Logo abaixo terá uma lista de Projeto fixos do BigQuery, dentre esses o basedosdados (2) - o ícone de pino azul indica que o projeto está fixado e poderá ser acessado sempre que você abrir o BigQuery. A seta à esquerda do nome basedosdados nos permite expandir a lista de todas as bases disponíveis na BD+ logo abaixo.

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Neste exemplo acessamos a página dos dados da RAIS. Sempre que abrirmos uma tabela no BigQuery teremos alguns itens que ficarão à mostra: a aba referente à tabela que selecionamos (3) que contém informações sobre a estrutura e descrição das colunas em Esquema (4) e também metadados da tabela em Detalhes (5).

Por fim, para visualizar os dados da tabela criamos uma nova Consulta (6) que irá abrir um novo Editor com a estrutura em SQL já com as informações da nossa tabela.

Explorando os metadados da RAIS

  • Na RAIS podemos ver entre as colunas disponíveis a sigla_uf, id_município (código IBGE), tipo de vínculo empregatício, tipo de admissão, mês de admissão, mês de desligamento, motivo de desligamento etc.
  • Todos os dados podem ser filtrados por região, período, nacionalidade, raça, salários etc.

Utilizando o Editor de consultas em SQL

Após selecionarmos em Consulta na página anterior, o BigQuery irá nos fornecer uma nova interface para escrita das instruções em SQL. A estrutura básica criada segue abaixo:

SELECT FROM 'basedosdados.br_me_rais.microdados_vinculos' LIMIT 1000

Essa estrutura mínima indica que iremos selecionar (SELECT) alguma(s) coluna(s) ou agregações (temos que indicar aqui quais serão) da tabela de microdados (FROM 'basedosdados.br_me_rais.microdados_vinculos') e queremos só visualizar as 1000 primeiras linhas (LIMIT 1000).

Atenção: Esse limite é importante para não processarmos a tabela inteira caso contrário seriam 250GB de dados! Conforme tornamos a query mais refinada, adicionando filtros para anos e locais específicos, por exemplo, esse tamanho de processamento se reduz bastante.

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Para selecionar todas as colunas da tabela podemos usar o "*" ao invés de escrever uma por uma após o SELECT. Ao clicar em Executar (1) obtemos logo abaixo a tabela de resultado da nossa consulta. Acima da tabela irá aparecer o tamanho do processamento realizado (2) e você pode também salvar a tabela gerada em CSV no Drive ou no seu computador no botão de Salvar resultados (3) ou Explorar dados (4) para criar gráficos com o Google Data Studio - veja o exemplo com os dados da RAIS abaixo.

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Vamos usar como exemplo mais completo uma consulta de vínculos empregatícios do estado do Acre e cruzar com os dados de população do IBGE de 1985 até 2019. Essa é uma consulta mais complexa, mas basta sabermos quais são as colunas de pareamento (neste caso, id_municipio e ano que fazem o JOIN) entre as tabelas para realizar o cruzamento. Abaixo em vermelho segue a explicação de cada linha da query, você pode acessar o código em SQL também em nosso Github.

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Importante ressaltar:

Nossas bases sempre terão todos os nomes de colunas chave de identificação padronizados, por exemplo sigla_uf é sigla_uf em todas as tabelas, o mesmo para ano e id_municipio - isso facilita bastante os cruzamentos!

Esta consulta processou 571 MB de dados em apenas 4 segundos. A tabela completa da RAIS tem mais de 250 GB. Já imaginou executar no Excel?

Para visualizar o resultado ao longo do tempo podemos criar um gráfico através do botão Explorar dados que irá nos redirecionar para uma aba do Google Data Studio, uma ferramenta gratuita de BI do Google. Para saber mais sobre o Data Studio veja aqui.

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Por que usar SQL?

SQL é uma das linguagens de programação mais simples e poderosas para quem quer mexer com dados. Saber criar consultas eficientes com filtros, agregações e cruzamentos em SQL salva bastante tempo que você gastaria no Python ou R, por exemplo - e acredite, nós também amamos essas linguagens.

Usar o SQL para pré-processamento de dados é uma ótima saída para quem trabalha com grandes volumes de dados, e construir estatísticas descritivas também é bastante simples. Uma vez com os dados prontos, você pode carregar os dados no Python ou R para rodar modelos e algoritmos mais robustos, usando inclusive nosso pacote já disponível em ambas as linguagens.

Quer aprender mais sobre SQL? Temos uma sugestão de um curso gratuito no Coursera em que você pode aprender praticando, e tem duração média de 8 horas.


Nosso projeto já te ajudou de alguma forma? Saiba como nos ajudar:

Texto produzido por Paolo e Fernanda, da Base dos Dados 💚

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