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Thiago Pederzolli Machado da Silva
Thiago Pederzolli Machado da Silva

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Por que eu fujo enquanto ele luta?

Quem nunca refletiu sobre essa pergunta ao ouvir a clássica frase quanto o tópico é ansiedade, de que é ela a responsável por ativar nossos mecanismos psíquicos frente à situações amedrontadoras.

Ao nos depararmos com uma situação de perigo, que nos gere a sensação desconfortável de medo e incapacidade, várias vezes nos deparamos com essas duas escolhas: posso enfrentar o que se encontra no meu caminho ou retroceder, fugir e escolher outro caminho.

Nem sempre nossas escolhas acabam estando de acordo com nossas vontades e mais na frente da vida isso costuma cobrar um preço através de cobranças de terceiros ou internas sobre o porquê ter agido daquele jeito.

Muito se fala sobre a importância de não se comparar, de que você deve se preocupar em ser melhor que você. Mas, ao meu ver, isso inibe uma outra parte importante para percepção da resposta que procuramos. É importante não se comparar com o outro em termos de evolução pessoal e do outro, mas é bom olhar as diferenças em relação ao outro para entender contexto.

O título é uma pergunta sem resposta pronta, se você chegou aqui procurando a solução dos problemas, esse artigo não lhe ajudará.

Para a psicanálise, é a existência do Outro que baliza nosso desenvolvimento. É o olhar dos pais e a validação de nossas atitudes que nos individualiza. Portanto, é involuntária e enraizada na nossa estruturação a ação de comparar-se aos outros. O filho quando pequeno compara-se ao pai, ao irmão mais velho.

A sociedade é cunhada na arte da comparação, nos forçam a comparar nossos corpos com padrões de beleza, nos vendem estereótipos de histórias de sucesso para que comparemos a nossa com elas.

É algo muito difícil lutar contra essas ações comparativas, elas vem de um inconsciente coletivo muito forte e é por isso que muita gente justifica com “Eu sei que não deveria fazer, mas não consigo evitar”.

E por que abordo este ponto? Porque acredito que acrescentar uma variável a essa comparação pode ajudar muito a diminuir o sofrimento que as comparações podem causar: Questionamento!

Por que estas te comparando com aquela pessoa? Por que estas te comparando agora? Qual a relevância desta comparação na tua vida? O que é que ambos estão fazendo representam para ti?

Tentar evitar comparações pode ser mais desgastante que lidar com as comparações em si. O fundamental é explorar os contextos, entender o processo todo, refletir sobre as histórias. Não é só sobre entender que histórias diferentes resultarão em ações diferentes, mas buscar entender um pouco do porquê disso ocorrer.

Na era digital da informação, literalmente, na ponta dos dedos, nossa capacidade de reflexão começa a se tornar algo obsoleto e inibe a capacidade de abstração. O título não tem resposta, porque ele deveria ser um mantra. Deve ser algo a ser questionado, devemos entender o contexto em que o outro conseguiu algo que não conseguimos, devemos entender o contexto em que ele se desenvolveu, para conseguirmos também observar o contexto em que nos desenvolvemos.

Entender o Outro e separar-se mentalmente dele é o principal ponto para conseguir uma compreensão melhor de si. É através desse processo reflexivo que conseguimos tomar mais consciência da nossa história, dando um contexto maior a momentos da nossa vida e através dessa nova compreensão ressignificar certas vivências para mudar nossos padrões de funcionamento, seja para que possamos lutar quando havíamos fugido ou para fugir em lutas que sabemos que não nos levarão a nada.

Sempre lembrando que a forma mais segura de trilhar esse caminho de questionamentos é acompanhado de um profissional de psicologia capacitado para estar ao teu lado pelo processo todo.

Lembrem-se: tudo que nos mobiliza fala mais da gente que dos outros. Então se me comparo com alguém é porque algo daquele outro toca em algo meu. É essa a reflexão que busco instigar com esse texto.

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