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Thiago Pederzolli Machado da Silva
Thiago Pederzolli Machado da Silva

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O Mito do meu Vira-Tempo

Hoje venho contar mais um pouco da minha história e tentar desmistificar algumas ideias sobre a minha pessoa. O maior mito que digo que tenho visto sobre mim é a ideia de que eu possuo um “Vira-Tempo”(referência de Harry Potter, é um relógio especial no qual um feitiço de reversão de horas, podendo voltar no tempo).

Minha paixão e vontade de programar vinha desde a adolescência, porém devido ao famoso impostor, eu não acreditava que era inteligente o suficiente para tal área. Por esse motivo fui primeiro para Educação Física, percebi que não era algo que eu realmente queria. Sempre tive um amor muito grande pela mente humana, então ir para psicologia era o caminho mais certo na hora. Talvez fosse uma mensagem inconsciente para um caminho mais fácil para terapia e resolver os conflitos com esse impostor.

Entrei na psicologia para trabalhar com psicologia desportiva, sem simpatizar nenhum pouco com Psicanálise. Com o tempo e muito estudo fui me descobrindo muito interessado em ser um psicólogo clínico com uma inclinação para psicanálise. Não deu outra, me formei, comecei a clinicar e a me especializar em psicanálise.

E onde entra a programação nessa história?

Assim como muitos que devem estar lendo esse texto, meu cenário foi abruptamente mudado pelo impacto da pandemia. Eu sempre tive um trabalho bem social, atendendo muitos alunos da universidade pública que vinham das regiões mais variadas do Brasil. Com a pandemia, as aulas foram suspensas, esses alunos retornaram para suas cidades e lá não possuíam infraestrutura para dar continuidade ao tratamento.

De início isso foi devastador, vivia meu melhor momento na clínica, estava empolgado com a possibilidade de iniciar meu Mestrado em Filosofia, entrava no meu último ano da especialização. Me vi bem perdido em o que fazer, pois também não havia me adaptado a iniciar tratamentos de forma online, ou seja, eu precisava achar outro mercado para atuar, porque obviamente tirar proveito da saúde mental das pessoas no contexto em que vivemos e proporcionar um atendimento que eu não acreditava que pudesse ser o melhor que eu poderia entregar jamais seria uma opção.

Foi ai que eu resolvi dar uma chance para a programação, conversei com alguns amigos da área, conheci a Rocketseat, fiz meu primeiro Hello World, participei da semana Reboot, conheci a comunidade de programadores e me apaixonei pelo universo como um todo.

A programação me deu um novo propósito de vida. A comunidade, as amizades, as inúmeras possibilidades de ajudar outras pessoas através do ensinar, tudo isso tem sido propulsores para um potencial interno que nem eu acreditava ser possível.

O que isso tem a ver com o mito do meu Vira-Tempo?

Tem a ver com o contexto, o foco, a motivação e os anos de terapia.

Felizmente eu vivo em um contexto onde eu posso ter foco total aos estudos, meus pais me dão o suporte necessário, devido ao fato de serem professores concursados não temos um contexto de luxo, mas temos condições de viver bem em meio ao cenário em que nos encontramos. Moro eu e minha mãe, ela aposentada e eu com poucos pacientes que ficaram, me sobra muito tempo livre ao longo da semana para que eu possa estar focado em estudar e evoluir.

Justamente por serem professores, sempre cresci vendo o poder que a educação pode ter em mudar o mundo para melhor e o quanto a gente aprende muito mais ensinando os outros. Então, isso é o que explica minha motivação em fazer diversos cursos, pois assim tenho base para poder ajudar colegas com dificuldade em algum conceito, assim como tenho vários colegas sempre disponíveis para me ajudar quando encontro alguma dificuldade frente à alguma dificuldade nos meus estudos.

Os anos de terapia me ajudaram muito a conhecer meus impostores e lidar de forma mais fácil com os medos e receios de não dar conta. Consigo avançar mais fácil em alguns conteúdos por isso. Também me ajuda muito a lidar com as incertezas, com compreender que não é possível dominar absolutamente tudo de cada conteúdo para avançar, que as coisas se conectam e que leva tempo para realmente dominar alguma ferramenta, que o importante no nível que me encontro é saber que elas existem, saber como pesquisar, saber ler a documentação, não ter vergonha de perguntar, não demorar para pedir ajuda.

A especialização em psicanálise e a intenção de um Mestrado em Filosofia também foram de grande ajuda nesse processo inicial, pois como eram conteúdos complexos, o hábito do foco, a facilidade em interpretar, a facilidade em assimilar conceitos difíceis são questões que já vinham presentes no meu dia-a-dia.

Outro fator relevante para essa minha dedicação toda e que tem uma questão muito pessoal é o quanto esse movimento tem mantido minha mente ocupada e minha saúde mental estável. Foi me encontrar na programação que me tirou de um processo depressivo que o início da pandemia estava causando, foi o que deu sentido e uma esperança de sobreviver a esse cenário caótico e sem prazo de resolução.

Me manter codando praticamente da hora que acordo até o fim do dia, parando só para jogar com os amigos ou ver alguma bobagem no youtube ou alguma série antes de dormir, vai além de foco nos estudos. É uma forma de sobrevivência, é uma forma de manter um propósito, de me manter em pé e, principalmente, ser capaz de adquirir conhecimento para, através da educação, do compartilhamento de conhecimento, ajudar outras pessoas a atingirem o próximo nível e realizarem seus sonhos de se tornarem Devs.

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Gilmara

Essa pandemia veio de repente mudando nossa vida por completo