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Não tenha medo de mudar de rota

Robson Junior
Broadcast the boom boom boom boom and make 'em all dance to it...
・5 min read

Escolhas... Não importa o quanto nós treinemos durante toda a vida a ter que fazê-las, tomar decisões não parece se tornar uma tarefa mais simples com o tempo. Vamos usar a sua potencial área de atuação como exemplo. Mesmo já sabendo que você gostaria de tentar Ciência da Computação (e mesmo se não for o caso, não desista desta postagem!), esse termo abarca uma infinidade de possibilidades. Como ter certeza de que o que você escolher vai possibilitar sua satisfação por tempo suficiente até você descobrir a próxima grande coisa?

Resposta rápida, ou melhor, a única resposta: é impossível garantir isso.

Ocupando muito espaço do cérebro...

Não se preocupe: não vou te atacar com mais perguntas difíceis, nem usar termos de coach para mudar o seu #mindset. Também não tenho nenhuma solução para oferecer, infelizmente. No lugar disso tudo, quero compartilhar uma história sobre o lado bom de criar coragem para tomar decisões difíceis, mesmo quando as suas escolhas anteriores não anteviam esse futuro.

Cursos de graduação geralmente culminam em um Trabalho de Conclusão de Curso, certo? Aquela última disciplina que quase ninguém quer, mas vai ter que cursar, sendo geralmente o último obstáculo entre você e o tão sonhado diploma. Nesse caso em específico, o TCC se deu em duas etapas: um Projeto de TCC, consistindo basicamente no esboço e planejamento do trabalho, e o TCC propriamente dito, cada um em um semestre.

Muito trabalho...

O primeiro passo foi, naturalmente, escolher qual professor(a) eu abordaria quanto à orientação, o que felizmente não foi uma decisão muito difícil. Embora eu tenha estudado com vários professores e professoras sensacionais, levei em consideração principalmente com quem eu ainda não tinha (até o momento) tido a chance de trabalhar, quem poderia me ajudar a encontrar mais possibilidades para o TCC e, principalmente, com quem eu realmente me sentia confortável.

Em seguida, surgiu uma dúvida bem mais complicada: qual tema escolher? Eu sabia que queria fazer sobre um tema que realmente me despertasse interesse, mas, mesmo com as opções sendo teoricamente infinitas, nem todas se sustentam como uma temática de TCC. Depois de contatar a minha orientadora para definirmos isso, eu pensava que não fazia ideia do que queria trabalhar. Depois dela dar umas dez (sério mesmo) sugestões de temas super interessantes, eu... Propus o meu próprio. Pensei rapidamente que o que me traria satisfação seria construir algo com algum impacto social, e então dei uma ideia de um sistema que atuaria nesse sentido.

Vieram mais dúvidas: como se daria esse trabalho? Focaríamos o TCC no desenvolvimento desse sistema, ou utilizaríamos os aprendizados obtidos ao longo do curso para viabilizar uma pesquisa? Como encaixar isso no contexto de Computação? Como encontrar os contatos das pessoas que poderiam nos ajudar a ceder as informações necessárias?

Depois de uma série de ameaças à validade do tema e inseguranças quanto ao que poderíamos fazer, conseguimos chegar em uma proposta sólida ao fim de Projeto de TCC. Caramba, já tínhamos bastante coisa: uma introdução que poderia muito bem ser aproveitada, um cronograma otimista, referências a artigos multidisciplinares que poderiam nos guiar…

Planejamento do TCC.

Mesmo assim, quando começamos TCC, comecei a enxergar mais furos naquilo tudo. Como íamos conseguir contatar todas aquelas pessoas? Como íamos abraçar o mundo com aquele projeto, estando no meio de uma pandemia que cada vez mais minava a minha vontade de interagir com outros virtualmente? Ainda assim, planejamos uma redução de escopo, fizemos mais pesquisas e estava tudo bem, talvez.

Mas não estava. Eu já sabia que, apesar de já ter sido apaixonado por aquele tema, nenhum caminho que eu via naquele momento me levaria a um resultado satisfatório. E isso, a cada reunião, estava me deixando cada vez mais ansioso e incerto. Aquela sensação de saber o que precisa ser feito agora, mas perder todo o ânimo de continuar só por imaginar que no fim das contas não vai haver tempo o suficiente para fazer o melhor possível.

Trabalhando no TCC.

Junto a isso, havia uma impotência ainda maior na insatisfação com aquele tema. Afinal, que direito eu tinha de não querer trabalhá-lo? Eu me agarrei com unhas e dentes a uma ideia que eu mesmo havia sugerido, fiz com que a lapidássemos de diversas formas e tinha uma proposta que, de diversos ângulos, parecia factível. Desistir de algo que você insistiu não é nada fácil. Mas eu não estava nada feliz.

Foi nesse momento que uma ideia antiga, que eu não havia sugerido anteriormente por não ter domínio do tema, voltou à minha mente. Ao comentá-lo com alguns amigos que estavam acompanhando o andamento do meu trabalho, eles perceberam que essa nova proposta realmente me deixava empolgado e me incentivaram a sugeri-la. Com um novo ânimo, criei coragem e conversei com a minha orientadora: "não quero decepcioná-la, mas podemos mudar de tema?"

Implorando...

E mais uma vez, provavelmente por eu ter muito privilégio de estar rodeado de gente incrivelmente acolhedora, eu não fui contrariado. Estávamos lá, com menos de três meses para desenvolver todo o TCC, com uma nova proposta em uma área totalmente diferente, com um propósito totalmente diferente. A diferença era: agora eu sentia que era o tema certo.

Escrevi uma nova proposta, comecei a fazer os experimentos, digitei incansavelmente aquele trabalho e, o melhor de tudo, eu me vi apaixonado mais uma vez por um projeto. Depois de muitas linhas de código, muitas horas ouvindo "Te Amo Lá Fora" da DUDA BEAT, muitas revisões e muito apoio, consegui terminar o trabalho de que mais me orgulho até hoje.


Eu‌ ‌esqueci‌ ‌dessa‌ ‌lição‌ ‌de‌ ‌me‌ ‌tratar‌ ‌com‌ ‌mais‌ ‌amor‌ ‌
Restou‌ ‌um‌ ‌pouco‌ ‌de‌ ‌esperança,‌ ‌dеcidi‌ ‌que‌ ‌é‌ ‌pra‌ ‌lá‌ ‌que‌ ‌eu‌ ‌vou

Espero que essa história ~de superação~ seja um incentivo para você acreditar que não deve ter medo de mudar de rota. É claro: seja racional, considere bem todas as suas opções. Se, no fim das contas, você sente que há algo que poderia te levar por um caminho em que você se sinta uma pessoa mais realizada, não tema.

Como diria Lady Gaga em sua fala icônica, pode haver 100 pessoas em uma sala e 99 não acreditam em você, mas basta que uma acredite. E essa primeira pessoa, por mais clichê que seja dizer isso, precisa ser você. Espero que, como eu tive e tenho, você tenha a chance de estar rodeado por uma comunidade de pessoas que te levam para frente, mas acreditar em si é o primeiro e mais importante passo!

Pode haver 100 pessoas em uma sala e 99 não acreditam, mas você só precisa de 1 para acreditar.

Obrigado pela leitura! Meu nome é Robson e normalmente você pode me encontrar no Twitter, no Instagram ou no LinkedIn.

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