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Fabrícia Diniz
Fabrícia Diniz

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O que aprendi ministrando meu primeiro workshop

Em julho de 2021 eu fui convidada para dar um workshop de Django REST Framework na Python Nordeste. Eu já havia atuado como monitora em um Django Girls local, mas nunca havia ministrado o meu próprio workshop. Eu sabia o tamanho da responsabilidade, mas o que eu não esperava era que aceitar esse desafio mudaria uma chavinha na minha cabeça em termos de criar e desenvolver projetos.

Um workshop é um seminário ou curso intensivo de curta duração em que técnicas são demonstradas e aplicadas. Ou seja, eu precisava de um projeto relativamente simples, que pudesse ser concluído em 3 horas ou menos, mas que ao mesmo tempo "vendesse o peixe" do DRF, demonstrando o quão fácil de usar e customizável ele é.

1º aprendizado: uso da documentação

Todas as vezes que eu cheguei a ler avidamente documentações foi porque eu tinha um problema em um grande projeto e precisava de uma resposta rápida e pontual. Isso fazia com que eu não testasse os exemplos de código em um projeto de baixa complexidade, os aplicando direto no meu grande projeto, e isso normalmente acabava resultando em um comportamento inesperado ou uma mensagem de erro que eu não entendia a procedência.

Aplicar os diferentes conceitos em um projeto contendo o mínimo de código necessário para seu funcionamento reduz as chances de algum fator desconhecido quebrar o código. Além disso, torna mais fácil identificar causas de erros, já que existem menos fatores influenciando o resultado.

2º aprendizado: reduzir escopo dos projetos

No começo de 2020 eu fazia live coding de um site de receitas que eu estava criando como side project. Como eu tinha uma audiência, eu tentei delimitar quais funcionalidades seriam desenvolvidas em qual ordem, mas eu acabei adicionando mais complexidade do que eu conseguia lidar naquele momento. O resultado é que o projeto está abandonado até hoje.

Ser forçada a criar um projeto que pudesse ser completado em poucas horas mudou a forma que eu olho para o escopo dos meus projetos. É melhor criar um projeto com um escopo pequeno mas que você consiga desenvolver do começo ao fim do que tentar fazer um projeto extraordinário que vai ser abandonado na metade.
Um outro ponto a favor dos projetos de escopo pequeno é que você pode sempre adicionar mais funcionalidades, e ter terminado alguma coisa é um gatilho positivo para o seu cérebro.

3º aprendizado: ensinar é realmente uma ótima forma de aprender

Como eu iria ter que explicar todos os passos do projeto para outras pessoas e precisaria saber responder a dúvidas, me debrucei com afinco na documentação e busquei realmente entender o comportamento do código e o que estava acontecendo por baixo dos panos. Testei alguns cenários diferentes (dentro do meu escopo pequeno) para ver como a API se comportava em diferentes situações, com diferentes inputs. Fazendo isso eu consegui um entendimento bem mais profundo do funcionamento do meu sistema e do framework como um todo, que me deu um sentimento de estar mais apta a resolver problemas futuros.

Algumas pessoas (como eu) têm dificuldade em estudar por si mesmas, escolher um assunto e sentar a bunda na cadeira para aprender algo novo. Precisar estudar para passar conhecimento de qualidade para outras pessoas é um grande incentivo para finalmente conseguir focar nos estudos. E nesse ponto, não precisa ser apenas algo grandioso como um workshop num evento de grande porte, pode ser num evento de pequeno porte, um vídeo, uma live ou até mesmo um artigo no seu blog.

4º aprendizado: você consegue

Não sei vocês, mas o meu Github é um cemitério de projetos inacabados e isso meio que me fazia pensar que eu não conseguiria desenvolver um side project do início ao fim. Sendo forçada a reduzir o escopo e construir algo em um período definido de tempo fez com que alguma coisa saísse do papel e o meu cérebro entendesse que sim, eu consigo desenvolver coisas por mim mesma, num contexto fora do trabalho. Não que alguém precise desenvolver projetos paralelos, mas há uma diferença grande entre não querer e achar que não consegue.


Em julho eu não achava que estava pronta para ministrar algo dessa magnitude em um evento como a PyNE, mas eu sou uma mulher de palavra e fui mesmo assim. Depois de horas e horas estudando e montando o melhor conteúdo que eu poderia passar, eu sinto que a minha autoconfiança nas minhas capacidades profissionais aumentou um tantinho a mais. Recomendo a experiência!

Discussion (1)

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Pâmella Araújo Balcaçar

Ótimo relato. Às vezes, deixamos de fazer algo que damos conta porque a síndrome da impostora se torna mais forte. Supera essa síndrome e se esforçar em pequenos projetos que te dar mais autoconfiança. Parabéns! 👏🏼
Você é merecedora do sucesso!