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Paul Arden: Quão grande você quer ser? Parte 1 — Sobre a excelência e feedbacks

Arthur Fonseca
・7 min read

A felicidade é um incentivo singular à mediocridade” Michel Montaigne

Fazia um tempo que eu não escrevia sobre livros. Após fazer um desafio de Corda Blockchain na FIAP, tive a ideia de materializar alguns pontos do código que apresentei (assim que terminar essa série do Paul Arden vou escrever os meus principais aprendizados).

Alguma coisa porém me dizia que alguns dos insights que eu tive não precisariam ficar apenas na parte técnica, e que eu já havia lido em algum lugar sobre… foi quando me lembrei de Paul Arden e seus 2 maravilhosos livros:

Comecei a reler os livros que são bem curtos, e creio que me lembrei do porque gostei tanto deles à época:

Roube de qualquer lugar que resulte em inspiração ou incendeie sua imaginação.

Devore filmes, músicas, livros, pinturas, poemas, fotos, conversas, sonhos, árvores, arquitetura, placas de rua, nuvens, luz e sombra.

Lembre o que Jean-Luc Godard disse: “Não importa de onde você tira as coisas, importa. Importa é para onde você as leva”


Introdução

Não basta ser bom, é preciso querer ser bom é um best-seller de Paul Arden, publicitário e diretor de criatividade.

Apesar de um apelo a publicidade que pode ser encontrado principalmente na metade final do livro, ele trás uma série de pontos comuns a todas as áreas de conhecimento, como provocações quanto a execução de determinada tarefa ou demanda, como por exemplo:

  • sua visão de onde ou o que você quer ser é o maior bem que você tem
  • sem um objetivo é difícil chegar a algum lugar.
  • você sabia que existe pouca demanda para excelência em comparação a demandas para mediocridade?
  • pessoas criativas são rebeldes
  • todos querem ser bons, mas nem todos querem pagar o preço por isso
  • não procure elogios, procure críticas
  • uma vez que você está envolvido em algo, assuma a responsabilidade/ culpa
  • compartilhe suas ideias
  • não espere a próxima oportunidade de fazer um excelente trabalho, a oportunidade é agora
  • não prometa o que não pode entregar
  • seja determinado e insistente
  • se algo pode ser feito, faça, ainda que sozinho. se você não fizer, nada acontecerá
  • falhe, falhe de novo, falhe melhor

Resolvi então fazer pequenos textos sobre alguns tópicos dos livros, fazendo alguns paralelos com as áreas que atuo.

Excelência

Logo de cara um tema bem interessante: a demanda por pessoas excelentes.

Paul Arden argumenta sobre existir pouca demanda por excelência no mundo… a maior demanda é pela mediocridade.

É interessante perceber que Paul é um provocador em sua essência, e ele sabe que muito do que é falado repercute, e que isso não necessariamente é ruim. Como publicitário, em uma parte do livro inclusive ele menciona ir a um museu junto a um colega ver uma obra que ele achou horrível. Após alguns dias falando sobre aquilo, ele notou que mesmo “ruim”, aquilo não saia da sua cabeça.

Voltemos a falar sobre excelência… um ponto que achei bem interessante foi o como ele conclui seu argumento sobre “ter mais pessoas medíocres”:

Essa é a natureza da pessoa criativa. Toda pessoa criativa precisa de algo contra o que se rebelar. É o que dá emoção à vida, e são as pessoas criativas que tornam a vida dos clientes emocionante.


Sobre feedbacks

Como Tech Lead na AIS Digital posso dizer que feedbacks são coisas constantes param mim, seja ao conversar com o time de desenvolvimento, seja ao conversar com outros líderes, seja ao conversar com pessoas em entrevistas.

Um ponto no entanto sempre me inquietou, e Arden conseguiu colocá-lo em palavras:

É MUITO fácil ser elogiado se consultarmos um bocado de gente ou se perguntarmos para quem está propenso a nos dizer aquilo que queremos ouvir.

É mais provável que eles digam coisas simpáticas e não sejam muito críticos. Tendemos a excluir o que é ruim para ouvir apenas o que queremos.

Se, em vez de procurar aprovação você perguntar: “O que há de errado com esse trabalho? Como posso melhorá-lo?, há mais probabilidade de receber uma crítica verdadeira.

Case 1: Acho que você poderia melhorar, mas…

A transparência é um pilar fundamental para o trabalho em equipe… me lembro de uma vez conversar com um cara que tinha acabado de entrar na empresa e estava no meu time, ele me falou que achava que eu poderia melhorar em alguns pontos no nosso projeto.

Perguntei para ele: Quais?

Ele falou: “Mas tipo, é minha opinião, viu.”, “olha, mas não leva para o pessoal”.

Falei: de boa, mano.

Ele falou: “Olha, acho que também não sei, sou novo na empresa, pode ser só impressão minha, veja bem…”

Falei para ele: mano… se eu for pegar feedback só das pessoas mais antigas que eu na empresa vou restringir muito meus feedbacks :).

Rimos, e ele acabou expondo seus pontos. Cresci bastante com aquela conversa.

Arden ainda flerta com essa ideia em Tudo o que você pensa, pense ao contrário, quando novamente fala sobre receber críticas:

Peça para levar um tapa na cara.

A verdade dói, mas a longo prazo é melhor do que um tapinha nas costas.

Case 2: Minha estratégia para favorecer a discordância

Gosto muito do ambiente que a AIS Digital me proporciona, mas caso eu diga que ninguém tem críticas ao meu trabalho seria o mesmo que dizer que zerei a empresa, o que sei que está muito longe de ser verdade.

Sei que muitas das vezes as pessoas encaram críticas como eventos a serem evitados, pois quanto menos atritos, melhor. Para mim, desde que saibamos que as críticas são profissionais, de boa… creio que ouvindo elas posso crescer.

Minha estratégia nesses casos, geralmente é falar minha opinião sobre Vingadores Ultimato para a pessoa e esperar:

Vingadores Ultimato

Que me desculpem os fã boys da Marvel, mas achei o filme horrível!!!

Depois de falar isso, olho na cara da pessoa. Dentre as reações que recebi geralmente são: “Como assim você acha Vingadores ruim!? Vingadores é muito bom!!!”

Começo então minha defesa:

  1. Mano… metade do mundo acaba, e os heróis estão em uma reunião de grupo de auto-ajuda!? Por favor…

  2. Para mim, o melhor ator do filme foi o molequinho de bicicleta que aparece após o homem-formiga voltar. O homem-formiga pergunta ao garoto o que aconteceu, porque estava tudo tão vazio, e ele sequer se dá ao trabalho de responder… pega sua bike e vai embora… afinal de contas o mundo foi dizimado.

Nesse ponto a reação da pessoa já é diferente… e começamos a conversar… eu não vou gostar do filme, ela não vai odiar, de boa… o ponto é muito mais dar a ela a liberdade de discordar dos meus pontos de vista, e mostrar que continuamos amigos… sem problemas… Quando vejo que as coisas estão se apaziguando, eu geralmente termino com: Bom para mim o filme ficaria legal mesmo se após todo o esforço que fizeram para trazer o homem-aranha de volta, na cena que o Thanos aparece com sua nave, matassem ele de novo.

“Mas o homem-aranha não pode morrer, ele tem um outro filme depois desse arco”.

Michael Jackson popcorn

Tudo isso para deixar claro que a pessoa pode discordar de mim, e que sei que podemos pensar diferente. No final das contas, apesar de acompanhar quadrinhos não me apego tanto a personagens, ao invés disso, prefiro acompanhar histórias que me intriguem, e não necessariamente terminem bem.

Escrevi inclusive sobre alguns deles aqui com paralelos para o mundo de desenvolvimento e testes:


Esse post faz parte de uma série sobre Paul Arden e dois de seus livros: Não basta ser bom, é preciso querer ser bom e Tudo o que você pensa, pense ao contrário.

A série completa é:


Original post published at https://medium.com on September 12th, 2020.

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